APITOS DO MEDO - Ensaios sociológicos sobre a violência urbana
APITOS DO MEDO
Ensaios sociológicos sobre a violência urbana
Sebastião Fernandes Sardinha
profsardinha@gmail.com
A estridência do Apito atinge freqüências e distâncias consideráveis no ouvido e na mente humanos. O Apito é objeto que estrutura a personalidade do medo a ser imposto na sociedade como forma de controle social.
O Apito, seja na boca do mestre de bateria ou na do guarda, pressupõe a obediência cega a uma disciplina ditatorialmente imposta como requisito para o ator ingressar ou manter-se em determinada comunidade, seja na agremiação ou no seleto lote de veículos financiados longevamente.
A imagem construída pela concepção do medo nega qualquer possibilidade de romper com as estruturas de reprodução de uma atividade consciencial. A estridência do Apito causa uma angústia em relação ao desconhecido, pois o ator submete-se compulsivamente a tal ordem não porque eventualmente tenha errado, mas para descobrir onde possivelmente errou.
Pode-se concluir que o Apito, constitui-se numa forma de dominação legítima na linguagem weberiana, de caráter racional, pois que baseada na crença na legitimidade das ordens estatuídas e do direito de mando daqueles que, em virtude dessas ordens, estão nomeados para exercer a dominação tida como legal.
Weber continua sustentando que no caso da dominação baseada em estatutos, obedece-se à ordem impessoal, objetiva a legalmente estatuída e aos superiores por ela determinados, em virtude legalidade forma de suas disposições e dentro do âmbito de vigência destas.
Aquele que apita está inestimavelmente contaminado pela nódoa cratológica, sem perceber que dela é mero escravo, nefasto instrumento.
O instrumento-base desta discussão serviu-se para denunciar a violência familiar, a quebra da privacidade do Posto 9 em Ipanema, como protesto de servidores e até nos irritantes aniversários infantis era usado como forma de auto-afirmação da criançada.
O som do Apito pode originar-se da boca do agente ou da litorina que anunciava a partida para a felicidade ou para a solução final nos campos de concentração de Sobibor, Treblinka ou Auschwitz.
Os recentes episódios envolvendo agentes da ferrovia no Rio de Janeiro nada revelam, a considerar que as testemunhas-repórteres pouco conhecem sobre a Doutrina do Apito e do Porrete, perpetradas pela temida Polícia Ferroviária Federal durante os Anos de Chumbo.
Os estertores da ditadura jamais poderão negar as supostas salas de detenção nas estações de Deodoro, Engenho de Dentro e os porões da Gare da Central do Brasil, que hoje abriga a Secretaria de Estado de Segurança Pública. A política do Apito e do Porrete era corriqueira nos tempos da Revolução “ditabranda” (sic).
No entanto, nem as Autoridades, nem a Academia, nem os repórteres jamais se dignaram a viajar no “faet” ou a embarcar no “bacurau”, muito menos enfrentar a quase diária avaria das composições do 30 (Nova Iguaçu X Central) e do 33 (Japeri X Central), salvo no anual e festivo “Trem do Samba”, pois que certo testemunhariam cenas de estupro, assaltos, torturas e variadas agressões aos trabalhadores, que já embarcavam cansados pela viagem do dia anterior. A visão, ainda que horrenda, era cotidiana para os usuários do transporte ferroviário de massa.
A privatização da RFFSA apenas transferiu para o setor privado (Supervia) o ranço da cultura escravocrata construída pela Polícia Ferroviária Federal, que, com seus Apitos e porretes, “prendiam e arrebentavam” os “trabalhadores do Brasil”, “brasileiros e brasileiras”, todos “descamisados” de uma justa redenção social.
Jean Delumeau1 considerou a dicotomia entre o medo e a angústia, tomando-os por dois pólos em torno dos quais gravitam palavras e fatos psíquicos ao mesmo tempo semelhantes e diferentes. O temor, o espanto, o pavor ou o terror devem ser considerados medo; já os sentimentos de inquietação, ansiedade e melancolia devem ser definidos como angústia. A diferença está no fato de que o medo possui um objeto determinado, ao qual se pode fazer frente, pois se refere a algo conhecido, enquanto a angústia não possui nem conhece esse objeto, sendo vivida como uma espera dolorosa diante de um perigo tanto mais temível quanto menos claramente identificado: é um sentimento global de insegurança.
O Tecido social está superficialmente amalgamado pelo verniz cultural patrocinado por forças do Sistema, (disfarçando a fragmentação), que concede ao povo “pão e vinho”, personificado nas políticas compensatórias e nas ações afirmativas de caráter intervencionista, proporcionando um leve torpor na sociedade brasileira.
A crise civilizatória por que passa o Brasil traz em seu bojo a certeza da pré-insolvência das instituições estatais. O Estado Brasileiro, desde tempos idos, abraçou a escolha economicista das razões dos pilares da sociedade. Compreender o sistema educacional sob o prisma atual leva à certeza de que pouco adianta construir escolas, quando o recurso humano é deficitário.
A crise moral incrustada na sociedade brasileira aponta para a desordem e para a violência urbanas como na concepção hobbesiana aflorada, mostrando o espelho do estado de barbárie, onde o individualismo selvagem colocará todos contra todos num crescente processo de autofagia social, que se avizinha com o chegar dos tempos.
A insegurança é símbolo de morte, e a segurança é símbolo da vida. Os trabalhadores do Brasil vivem sob o signo da insegurança no gueto da desesperança, à beira de uma convulsão social de dimensões inimagináveis, onde usarão como armas a angústia e o medo, para desmantelar a farsa democrática em que está instalado o Estado Brasileiro.
O desaguar da barbárie urbana é fato, prestes a sangrar o Estado Brasileiro.
O resgate da dívida social pelo Estado Brasileiro passa por um amplo pacto social, com o comprometimento com as reformas política, tributária, trabalhista, penal e do Judiciário, e a reestruturação da matriz social. Fazer um Brasil com leis reais para questões sociais.
O Brasil precisa ser passado a limpo através de uma Revolução Social. Os usuários trabalhadores do Brasil são, na verdade, perseguidos sociais, que merecerão, num futuro próximo, a “anistia ampla, geral e irrestrita”.
1DELUMEAU, Jean. História do medo no ocidente, Companhia das Letras, São Paulo, 1996, p. 25.
Blog de SEBASTIÃO FERNANDES SARDINHA
Senhor Presidente,
Acuso o recebimento da mensagem.
Estou remetendo cópia desta para o portal, para que não pairem dúvidas quanto a titularidade do evento.
publique-se da forma remetida.
Att.
Prof; Sebastião
2009/9/29
Prezado Professor Sebastião Fernandes Sardinha, bom dia.
Gostaria de agradecer o interesse pelas nossas atividades na área de Política Internacional, mais especificamente em relação a VI Conferência Internacional do Forte de Copacabana, a ser realizada nos dias 12 e 13 de nov…
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Postado em 29 setembro 2009 às 15:21 ‚Äî
II Conferência das Comunidades Brasileiras no Exterior
14, 15, 16 de outubro - Palácio Itamaraty - Rio de Janeiro
Palácio Itamaraty, Av. Marechal Floriano, 196 – Centro
Rio de Janeiro, RJ.
Ficha de inscrição
Programa
Contato e dúvidas: brasileirosnomundo@mre.gov.br
PROGRAMA
14 de outubro, quarta-feira
(Reuniões preparatórias entre convidados oficiais)
15 de outubro, quinta-feira
9h00 - Abertura oficial, com a presença de autoridades;
Apresentação da SGEB sobre políticas e realizações…
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Postado em 29 setembro 2009 às 10:10 ‚Äî
A CELA DE AULAS
O território fora do lugar
“A escola tem de ser boa. Criança não é masoquista de ficar numa escola ruim. Escola tem de ser bonita bem equipada e com professores competentes”
Cristovam Buarque- educador.
A “sala” de aulas é uma variação bizarra da cela eclesiástica presente nos conventos e seminários ao longo da história.
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Postado em 21 setembro 2009 às 16:47 ‚Äî
Solicitamos que encaminhem este e-mail para suas redes de relacionamento. As inscrições de trabalhos poderão ser realizadas até o dia 31/08/2009 por meio de resumo expandido. Não é necessário o envio de trabalho completo.
VII SIMPOED
(Simpósio de Formação e Profissão Docente)
O que é qualidade em educação?
22 e 23 de outubro de 2009
Local:UFOP/ICHS/Campus Mariana
Inscrição de Trabalhos: até 31/08/2009
www.simpoed.ufop.br
Eixos temáticos para inscrições de trabalhos
1- Políticas e Prát…
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Postado em 25 agosto 2009 às 9:55 ‚Äî
O PORTEIRO DO CABARET FRANCÊS
Uma leitura sobre a conformação política do Estado Nacional brasileiro
As concepções do mundo não podem deixar de ser elaboradas por espíritos eminentes, mas a realidade é expressa pelos humildes, pelos simples de coração.
Antonio Gramsci
Ensaios de Ciência Política
A singular formação do Estado Brasileiro, desde suas origens mais remotas, fundada nas raízes do Império Português, vem sido tratada por uma ampla parcela da teoria política nacional como resultado de…
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Postado em 10 agosto 2009 às 15:08 ‚Äî