AO ALUNO EM DIA DO PROFESSOR
Demétrio Sena
Pense comigo: Há uma horda (na política, na justiça e no empresariado), que todos os dias humilha, constrange, desconforta e pretere as pessoas mais simples deste país, entre as quais estão os alunos de escolas públicas, seus responsáveis e não muito menos os professores. Mas os professores acabam sendo aqueles que recebem a maior carga de negativismo gerada por essa realidade. São o pararraio do aluno revoltado com a revolta dos pais, que estão revoltados com o patrão, que está revoltado com o sistema econômico em constante conflito com a justiça. Tudo isto, sem contar com outros problemas do dia a dia, entre eles o desemprego, o acesso precário à educação, à saúde e ao bem estar geral.
Mas se você é um daqueles alunos "espertos", que não têm medo "mermo" de nada, pense comigo: É justo descarregar sua fúria, quase sempre legítima, reconheço, mas distorcida, exatamente sobre quem mais sofre com você, depois de seus entes queridos? Confesse para si mesmo que é covardia fazer de tudo para desmerecer, frustrar, inibir e até intimidar um professor, depois de ter baixado a cabeça para tanta gente que você teme, porque sabe que não tem o mesmo compromisso de amor, preocupação, respeito e ética por sua vida. Gente que não está ligando nem um pouco para o seu futuro, por exemplo.
Será mesmo revolucionário enlouquecer o professor e continuar beijando a mão de prefeitos, vereadores, deputados e afins, além de presenteá-los ano após ano com seu voto e seu prestígio? Acha que é realmente "brabo", só porque encara o seu mestre e amigo, mas lá no fundo sabe que não é ele o grande culpado de suas amarguras? Seria bom repensar para o seu bem, que todos queremos, repensar seus atos que pretendem atrair a atenção para conflitos que só poderão ser sanados quando a educação, produto oferecido com amor e rejeitado por sua mágoa, revolta e desconfiança for absorvido por todos, com plenitude. Não apenas pelos figurões dos poderes, para os quais tanto faz que você seja uma pessoa culta, informada e feliz ou não. Na verdade, quanto menos pessoas lutarem por isso, tanto melhor para muitos deles. Para quase todos, até.
Confesso que durante muitos anos também agi assim: Aceitava o preconceito das lojas onde nem era atendido, por causa do meu aspecto, e depois descarregava no professor. Punha sempre a cauda entre as pernas, quando um policial me revistava sem mais nem menos, e em sala de aula me exibia com desaforos, diante da preocupação e do desvelo quase sempre de professoras. Sofria injustiças da justiça, levava surras de meninos mais fortes que eu, e me enchia de forças para bancar o valentão nas aulas. A rua em que eu morava era escura, enlameada, com valas a céu aberto, bosta boiando e eu, já rapaz, continuava votando nos mesmos políticos, sem nunca ter tido coragem de cobrar deles nem de protestar veementemente contra suas falcatruas, mentiras e indiferenças.
No entanto, a mesma história na escola... o "marrento", o cara feia, o "destemido" contra quem nada podia nem queria fazer contra mim. Só a favor. Só pelo meu bem. Com a eterna preocupação de me ajudar a conseguir um futuro digno. E olhe que quando eu estava no antigo primário, no ginasial e no que hoje é o ensino médio, a escola era bem mais rígida; muitas vezes dura, mesmo. Mas sempre tive bons professores, e se acabava encarando uma daquelas que punham fogo pelas narinas, aí baixava a cabeça, que aí funcionava o suficiente para saber que estava na hora do recolhimento de meus arroubos.
Pense hoje no professor como seu amigo. A pessoa que escolheu estar com você, quando podia ter concorrido a uma vaga na Petrobrás ou tantas outras empresas que lhe dariam, economicamente, muito mais retorno. Pense nele como uma pessoa abnegada, que tem o prazer de tentar conduzi-lo a um mundo melhor, mais justo, igualitário e humano. Alguém que divide com você o amor e a atenção que originalmente seriam só dos filhos, e não haveria tal divisão numa empresa fria, burocrática e voltada unicamente para o lucro e o avanço tecnológico.
Seja de fato esperto fazendo por si mesmo o que pode e mudará sua vida e a do país em que vivemos. "Sacaneie" os que não desejam vê-lo chegar "lá", onde estão, porque só querem para si, as riquezas; o prestígio; a fama; o conforto... a cidadania de que desfrutam, muitas vezes de formas desonrosas, anti-cidadãs. Faça isso estudando, preparando-se para olhar de frente, sem complexo e medo, de igual para igual, essa gente que nos trata como lixo e morre de medo da educação, da força que ela tem para mudar tudo. Para tirar o privilégio dos que se julgam, e de forma são, os donos do mundo.
É contra a injustiça, a desigualdade, o medo, a bandidagem, a corrupção, a falta de cidadania, o desprezo e a ignorância (tudo ítem do mesmo pacote), que você deve lutar. Você, seus pais, eu, todos os educadores, o povo em geral. Unidos contra os que hoje são os mas fortes, por causa do grande índice de analfabetismo e falta de educação, venceremos as bandalheiras do Brasil e do mundo, tornando-os dignos para nós, nossos filhos e as outras futuras gerações. Pense nisto, neste clima de dia do professor.
Blog de Demétrio Pereira Sena
Demétrio Sena
(Aos formandos do curso de formação de professores do Colégio Estadual Alcindo Guanabara, em Guapimirim - RJ.)
Sou feliz: Além de fazer o que escolhi para a minha vida, vivo dessa escolha e ainda recebo homenagens bonitas e sinceras. Sou grato ao destino e a vocês, que me fazem sentir a importância do que faço; dimensionar a grandeza da missão que me humaniza a cada dia, de modo que jamais saberei explicar.
Este foi mais um ano de muitas dificuldades para todos. Mas essas dificul…
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Postado em 18 dezembro 2009 às 19:31 ‚Äî
Demétrio Sena
Veja o dia nascendo outra vez. Ele vem conforme o previsto, sobre a noite que foi feliz ou de tristeza e ranger de dentes. Passou. Pouco importa. Logo virá outra noite. Tenha neste cenário a certeza do sonho possível. Ponha lentes mais brandas e otimistas nos olhos de sua alma.
Uma vida se mostra, se despe dançante e despudorada. Cobre os montes, transborda e desagua no túnel que lhe parece, por seu desânimo, não aceitar luz. Essa luz que o surpreende vem rasante, anuncia esperanç…
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Postado em 14 dezembro 2009 às 14:44 ‚Äî
Demétrio Sena
O homem trajava terno.
Saiu de seu carro e vomitou... Vomitou muito.
A rua estava deserta... Quase deserta!
Do meio do lixo vem Toinho,
para meio distante, assiste a cena.
O homem de terno acaba, puxa um lenço,
enxuga os lábios, olha em volta.
Quando volta ao carro e vai, Toinho vem.
Quer ver o que o homem vomitou.
Olha pro chão, confere a gosma.
Nela tem pêra, uva, bife,
arroz com salada, e a cor escura
deve ser da Coca-Cola.
Toinho pensa nem sei quê. Melhor assim.
Dá fim ao plan…
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Postado em 7 dezembro 2009 às 9:59 ‚Äî
Demétrio Sena
Ler, certamente acultura e nos ajuda a decodificar o mundo, mas, a viver, só se aprende mesmo vivendo. Ninguém amadurece a partir de livros.
Postado em 6 dezembro 2009 às 10:16 ‚Äî